Amapá tem a quarta menor taxa de mortalidade por Covid-19 do Brasil

O Amapá é o estado que mais faz testagem no país, 4,433 mil testes para cada grupo de 100 mil habitantes. Os dados fazem parte do Parecer Técnico-Científico do Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (Coesp), apresentado pela Drª. Margarete Gomes, especialista em saúde pública, aos deputados da Comissão da Covid-19 da Assembleia Legislativa, nesta quarta-feira (24/6/2020), por videoconferência.

Os números revelam, também, que o estado tem a quarta menor taxa de mortalidade por Covid-19. Até o dia 20 de junho, o índice era de 1,64%. Enquanto que a taxa nacional estava em 4,70%. “Estamos caminhando para ter a menor taxa de letalidade do Brasil, na data de hoje, o nosso percentual está em 1,44%”, contou Margarete Gomes.

Para o superintendente da Vigilância em Saúde, Dorinaldo Malafaia, a queda no número de óbitos está relacionada ao fato do Amapá ser o estado que mais rapidamente identifica casos do novo coronavírus. “A nossa curva é a maior do país porque nós testamos mais; por outro lado, temos a quarta menor taxa de morte por identificarmos mais cedo e entrarmos com a medicação de forma precoce”, exemplificou.

O panorama da disseminação do vírus no estado foi debatido em três horas de videoconferência. Os deputados Max da AABB (SD), Edna Auzier (PSD), Paulinho Ramos (PL), Jesus Pontes (PTC) e Jack JK (Cidadania), tiveram a real dimensão como governo e prefeituras estão conseguindo achatar a curva, reduzir os números de internados e de mortes.

Os dados correspondem de 20 de março a 20 de junho. Nesses 90 dias, Macapá, a capital amapaense, tem o maior percentual de casos positivos para o novo coronavírus, 43,47%. A estimativa é que esse percentual ultrapasse os 50% nos próximos. A explosão é por conta da demanda reprimida. A mesma que fez o estado soltar rapidamente para mais de 26 mil casos.

“Fizemos uma parceria com a Fiocruz, que recebeu cinco mil exames desse quadro de demanda reprimida e já nos devolveu mais de dois mil resultados, o que elevou o número de casos positivos. Mas, asseguramos que os dados atuais não refletem a realidade sobre a disseminação do vírus em nosso estado”, afirmou Malafaia. Além da Fiocruz, os exames são feitos pelo IML, Lacen e pelo Instituto Evandro Chagas.

Outro fator que chama atenção é quanto ao avanço da doença no Amapá. De acordo com os dados do parecer da Coesp, a grande explosão de casos de covid-19 ocorreu nas três primeiras semanas de maio. Mas, mesmo diante da aceleração de infectados, o estado conseguiu baixar o índice de mortalidade. Saiu de 3,37% para 3,16%.

Os números mostram também sobre o crescimento gradativo da curva diária do número de pessoas que conseguiram vencer o coronavírus. Até o dia 10 de junho, dos 21.574 infectados, 9.416 conseguiram se recuperar. 43,6% do total de casos.

Isso reflete, também, no número de internação. No dia 20 de maio, 400 pessoas estavam internadas. Um mês depois, esse número caiu para 237. Queda de 42%. 

Interior

Dorinaldo Malafaia e Margarete Gomes, também, explicaram aos parlamentares sobre o avanço da Covd-19 nos municípios amapaenses. Destaque para as cidades de Laranjal e Pedra Branca do Amapari. As duas juntas somam 19,62% dos casos de coronavírus no Amapá. Mais da metade dos outros 12 municípios juntos, que representam 31,47% dos registros.

As duas prefeituras (Laranjal e Pedra Branca), com orientação e acompanhamento da SVS, desenvolveram um trabalho estratégico e organizado no combate à pandemia. As duas cidades passaram a testar mais. 

“Eles conseguiram identificar as pessoas infectadas e por meio delas outros membros da mesma família, que por apresentarem os sintomas, eram dados como positivos e passavam a receber o tratamento de forma precoce. Isso, de certa forma, elevou a curva”, explicou Margarete Gomes, que assegura que hoje, os leitos de UTI de Laranjal do Jari estão vazios e sem filas nas unidades de saúde.

Nova onda de Covid-19

Dorinaldo Malafaia e Margarete Gomes apresentaram preocupação quanto a uma possível onda de reinfecção de pessoas com o novo coronavírus no estado. De acordo com os representantes do Coesp, alguns países que aparentavam ter o controle da doença começam a sofrer com uma segunda disseminação de reinfecção.

Isso ocorre porque nem todas as pessoas que foram infectadas conseguiram criar o anticorpo, o chamado igg. “Essa possibilidade de uma nova onda de reinfecção do novo coronavírus é real porque nem todos conseguem desenvolver o anticorpo; além disso, elas continuam apresentando uma baixa imunidade”, explicou Malafaia.

A possibilidade de uma segunda onda da doença deixa todos em estado de alerta, principalmente, por conta de abertura gradual do comércio. ?Precisamos acompanhar dia a dia o comportamento sobre o número de casos para ter a real dimensão se podemos continuar com o processo gradual de abertura do comércio ou se devemos voltar com as restrições?, sustentou o superintendente da SVS.

Fonte: http://www.al.ap.leg.br/pagina.php?pg=exibir_noticia&idnoticia=18947

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